Dólar forte derrete metais e mantém milho sob pressão nos mercados
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O mercado global passou por um forte ajuste no último pregão de janeiro nesta sexta-feira (30), com destaque para a queda de metais como ouro e prata, movimento que acabou influenciando outras commodities.

Segundo a análise de Guto Gioielli, analista CNPI e fundador do Portal das Commodities, a correção nos metais ocorreu mesmo sem mudanças relevantes nos fundamentos, indicando um ajuste técnico após a valorização acumulada ao longo do período.

Além da realização técnica, ouro, prata e urânio foram influenciados pela nomeação de Kevin Warsh, como o sucessor de Jerome Powell na presidência do Federal Reserve (Fed).

Ouro e prata passam por realização técnica

O ouro registrou queda após se aproximar de níveis considerados importantes pelo mercado — acima dos US$ 5.300. A prata acompanhou o movimento, devolvendo parte dos ganhos recentes.

Segundo Gioielli, esse tipo de ajuste é comum quando os preços se aproximam de resistências técnicas, pontos onde parte dos investidores opta por realizar lucros.

No caso do urânio, o movimento foi semelhante. O ativo não conseguiu superar máximas recentes e passou por correção, acompanhando o comportamento dos demais metais.

Milho reage ao dólar, mas oferta segue elevada

No mercado agrícola, o milho foi influenciado pelo fortalecimento do dólar frente ao real, o que ajudou a limitar perdas mais intensas. Ainda assim, o cereal permanece pressionado pela ampla disponibilidade interna.

Segundo Guto Gioielli, analista CNPI e fundador do Portal das Commodities, os estoques de passagem — volume que sobra de uma safra para a seguinte — estão estimados entre 12 milhões e 18 milhões de toneladas, muito acima das cerca de 2 milhões de toneladas registradas no ano anterior.

Esse excesso de oferta segue como o principal fator de pressão sobre os preços.

Exportações não compensam excesso de oferta

Mesmo com fluxo externo ativo, o ritmo de exportações não tem sido suficiente para equilibrar o mercado. A entrada gradual da colheita e a ampla disponibilidade interna mantêm o milho sob influência de fatores domésticos, limitando tentativas de recuperação nos contratos futuros.

Segundo a análise, vencimentos mais longos, que normalmente refletiriam expectativa de menor oferta, também encerraram a sessão em queda, reforçando a leitura de abundância do cereal no mercado.

Outras commodities acompanham ajuste

O café também registrou queda acentuada, influenciado por projeções de boa produção no Brasil e condições climáticas favoráveis às lavouras. A soja permaneceu pressionada, sem conseguir se sustentar acima de níveis técnicos relevantes.

Segundo Guto, a dinâmica das exportações seguirá no radar nas próximas semanas, mas o comportamento do milho continuará condicionado, principalmente, ao volume de estoques disponíveis no mercado interno

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